Uma Homenagem a Renato Teixeira

Caiçara de Taubaté

Renato Teixeira de Oliveira nasceu em Santos em 20 de maio de 1945. Passou a infância em Ubatuba e veio morar em Taubaté na adolescência. Aqui estudou no Colégio Diocesano Santo Antônio e no Estadão. Freqüentava o  Taubaté Country Club (TCC) e é torcedor do Esporte Clube Taubaté.

 

Arquiteto … só que não!

Queria ser arquiteto, mas acabou dedicando-se à carreira musical. Nos anos 1960 participou da banda Skema 1 que tocava nos bailes da cidade.

 

Na rádio

Foi o locutor que estreou a programação da rádio Cultura, que pertencia ao mesmo dono da Difusora, rádio onde conheceu o turuna Arraiel Theodoro, que se tornou seu ideólogo musical.

“Eu sei falar de Taubaté melhor do que ninguém. Foi lá que eu fui criado, eu conheço tudo de lá, eu sei as reações, eu sei tudo das pessoas. Com isso o meu trabalho ganha força, quando eu começo a falar das coisas que eu sei, das coisas que eu vivi.”

 

Início da carreira em São Paulo

Dentinho e bituca

Em 1967, Renato Teixeira e Milton Nascimento foram lançados simultaneamente no show business por Walter Silva, o Pica-pau. Detalhe: Renato foi quem apresentou Walter a Milton.

 

Que leGal

Ainda em 1967, Renato participou do Festival de MPB da TV Record – espécie de “The Voice” da época – com “Dadá Maria”, defendida por uma tal Maria das Graças, futura Gal Costa. A canção não ganhou o festival, mas fez bem à carreira dos dois.

 

Compositor/competidor

Em 1968, Renato Teixeira tentou a sorte em todos os festivais disponíveis.  Mas foi com “Madrasta”, composta em parceria com Beto Ruschel, que conseguiu sucesso. A canção foi interpretada por Roberto Carlos.

 

O padrasto

Em 1968  Roberto Carlos era o maior vendedor de discos do país. A ideia de convencê-lo a interpretar “Madrasta” foi de um produtor do Festival de Música Popular Brasileira, que lembrou-se que Roberto havia se casado e se tornado padrasto recentemente.

 

Madrasta no LP

Madrasta foi defendida lindamente. Mesmo não ficando entre as finalistas, a composição ostenta o “prêmio” de ser a única música feita para Festivais que Roberto Carlos gravou em disco.

 

Fruto tropical

Gilberto Gil e Caetano Veloso afirmaram a Renato Teixeira que “Madrasta” foi o primeiro fruto do movimento tropicalista, que sacudiu o ambiente da música brasileira nos anos 1970.

 

Empreendimento

Roberto vendia tanto, que só Madrasta rendeu a Renato e Beto, ambos de 22 anos, algo em torno de 50 mil dólares. Com sua parte, Renato montou uma produtora de jingles comerciais.

 

Chuva de dinheiro

Eufóricos além da conta, Renato e Beto Ruschel trocaram mil dólares em notas miúdas, pegaram um taxi e literalmente jogaram dinheiro pela janela. Parece cena de filme, né?

“A gente era duro, aquilo era muita grana e ficamos deslumbrados.” Renato Teixeira, Revista Veja 26/09/2007

 

Caipira publicitário

Nos anos 1970, já no ramo publicitário, Renato passou a compor jingles que, segundo a avaliação de quem entende do assunto, foram considerados “verdadeiras obras de arte com qualidade poética e musical”. Aos menos jovens: você já escutou mais Renato Teixeira do que imagina!

 

Playlist dos anos 80

O jingle “Ortopé, Ortopé, Tão bonitinho” da fabricante de calçados, marcou tanto a geração dos anos 1980 que ganhou uma releitura em 2010.

 

Liberdade é uma calça velha azul e desbotada!

O jingle da USTOP foi criado nos anos 60 por Renato Teixeira e Sérgio Mineiro.

 

Rodabaleiro

Rodabaleiro, comercial que foi veiculado pela primeira vez em 1978 na voz de Teixeira, é um de seus mais celebrados jingles e ficou na memória afetiva de muita gente. Permaneceu no ar por 5 cinco anos. Um sucesso!

“Roda, roda, roda baleiro,

Atenção! Quando o baleiro

Parar, põe a mão.

Pegue a bala mais gostosa do

Planeta, não deixe

Que a sorte se intrometa

Bala de Leite Kids,

A melhor bala que há.

A bala de leite Kids,

Quando o baleiro parar.”

 

Grupo Água 

Foi nos tempos de publicitário que Renato mergulhou na cultura caipira. Nesse período, participou da lendária coleção Música Popular Centro Oeste/Sudeste, de Marcus Pereira, gravando alguns clássicos do gênero.

“Li muito e ouvi outro tanto para chegar pela dedicação, a um domínio de música que me satisfizesse” Renato Teixeira, Revista Veja 12/4/1978

 

Sem grana

Foi com o Grupo Água que Renato conseguiu assimilar o espírito da cultura caipira e projetá-la de forma contemporânea.

“Os modernos de ontem cantavam as músicas que Renato já cantava anteontem.” Walter Silva, no livro Vou te contar, 2002

 

Músico do povo

Muita gente, desde o turuna Arraiel Theodoro até Walter Silva, que o lançou nos palcos, acreditava que Renato deveria “assumir de vez a sua personalidade de autor do povo”.  A consumação veio em em 1977, quando Renato veria uma composição sua tornando-se um marco da música caipira/sertaneja.

 

Nossa!

Romaria, interpretada por Elis Regina, estourou nas rádios em 1977. Na voz de Elis, a mais prestigiada cantora brasileira de todos os tempos, a canção virou hino.

 

460+

Até 2007, Romaria havia sido regravada 460 vezes, segundo a revista Veja.

” Romaria com a Elis ajudou a quebrar o preconceito contra a música caipira. Porque era ela falando a palavra caipira,  até então falar caipira era para xingar.” Renato Teixeira, Globo Rural, 11/01/2015

 

Sentimental eu fico

O disco “Elis” inclui ainda “Sentimental eu fico”, também de Renato Teixeira. “Merencória” só não entrou no repertório porque a cantora queria dar espaço para outros compositores.

O caipira pira

Listada entre as 10 músicas mais executadas de 1977, Romaria ajudou a alavancar as vendas do disco “Elis”, que não foi bem recebido pela crítica. O sucesso da música viabilizou a carreira de Renato Teixeira como compositor e intérprete. Mas o maior presente que Elis proporcionou ao cantor de Taubaté foi a perenidade da canção, consagrada nacionalmente.

“Nas conversas familiares dos Teixeira de Oliveira consta que a casa do Roberto [irmão de Renato] está com as paredes todas levantadas às (crase) custas de Romaria esperando que eu grave uma outra canção para botar o telhado.  Eu não consigo olhar o Renato sem rir dessa história.” Elis, TV Cultura, 1982

 

Elis pela última vez

Na última entrevista concedida por uma bem-humorada Elis Regina, Renato Teixeira apareceu em vídeo para dar um recado à  amiga.

“Queria dizer publicamente da minha gratidão e da minha estima por você por ter gravado e ter feito de Romaria um sucesso. Eu estava precisando naquela hora…” Renato Teixeira

“Acho que não fiz absolutamente favor algum. É aquela velha história: a gente dá o tiro, quem mata é Deus, cara. Se a música chegou aí, tocou e o pessoal até cantou junto, repetiu é por que alguma coisa tinha para que houvesse essa reflexão e essa cantoria em grupo.“ Elis Regina

Elis Regina morreu em 19 de janeiro de 1982, duas semanas após conceder essa entrevista, veiculada pela TV Cultura.

 

Discografia

Renato é artista consagrado que já gravou discos com músicas que são tema de peças, filmes, programas de tv, novelas e séries, mas reserva carinho especial pelas canções que falam de suas experiências em Taubaté, como “Igreja Matriz do Padre Evaristo”, “Eu e Ney sentados na Ponte”, “Cesídio Ambrogi e você” “Cesídio Ambrogi, você” e “Morro da Imaculada”.

 

Bandeirante de 8 metros

O compositor serviu de modelo para a construção do monumento ao bandeirante que está na entrada da cidade desde os anos 2000. A obra de oito metros de altura, de autoria de José Demétrio, foi idealizada por Lygia Fumagalli Ambrogi.

 

 

Conteúdo publicado originalmente na Revista Almanaque Taubaté #4

 

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