4 de março: libertação dos escravos em Taubaté

Para lavoura

Os escravos negros chegaram a Taubaté ainda no século 17, pouco depois da fundação da Vila, mas foi só no século 19 que eles se tornaram onipresentes.

 

Questão jurídica

O regime escravocrata dependia da violência para manter a ordem. Apesar de não possuírem direitos civis, os escravos eram observados de perto pela justiça, sofrendo punições em casos de improdutividade e por crimes. Açoites, instrumentos de tortura e a galés perpétua eram comuns. Por outro lado, muitos escravos se rebelavam, fosse corrompendo o trabalho, praticando assassinatos, fugindo e até cometendo suicídio.

*Como a pena de morte representava prejuízo, o Estado aplicava a pena da Galés Perpétua, em que o condenado era obrigado a trabalhos forçados com calcetas nos tornozelos e correntes de ferro.

 

Acervo NYPL

Acervo NYPL

Premiação

O bom “comportamento” era fonte de benefícios aos escravos. Delações eram comuns.

 

Insurreição

Em 1855, um escravo do Padre Joaquim Pereira de Barros denunciou um grupo de escravos que pretendia realizar uma insurreição. Constatado o crime, o grupo foi preso e o líder condenado à pena máxima. O delator foi saudado pela imprensa e justiça.

O Treze de Maio, acervo Hemeroteca Digital da BN

O Treze de Maio, acervo Hemeroteca Digital da BN

 

Crise na firma

Em meados do século 19, a escravidão passou a ser um problema econômico global. O tráfico transatlântico passou a ser combatido e, a partir de 1850, os escravos que chegavam no Brasil vinham de forma clandestina. Era uma empresa a beira do colapso.

 

Abolicionismo

Diminuição na oferta de mão de obra, baixa produtividade e o aumento dos custos criou o cenário ideal para o surgimento do movimento abolicionista. Em Taubaté, o movimento era liderado por Francisco de Paula Toledo e pelo Conselheiro Antônio Moreira de Barros, que contavam com largo apoio da imprensa.

 

No vermelho

Com dívidas se acumulando, os fazendeiros relutavam sobre a libertação. Estimativas indicam que ¾ da riqueza dos fazendeiros estava fixada nos escravos. Sem indenização, o prejuízo seria enorme.

 

Sinais de Tempo

No final dos anos 1880, notícias sobre grandes libertações eram comuns. Em 1887, por exemplo, o Visconde de Tremembé anunciou a alforria de 90 escravos, sob a condição de trabalharem até janeiro do ano seguinte e depois tornarem-se assalariados.

ims

Acervo IMS

 

Bondade? Que nada!

Humanitarismo e justiça eram a tônica dos discursos abolicionistas. Na prática, o problema era dinheiro. O Conselheiro Moreira de Barros, preocupado, pregava a libertação mas com indenização, paga pelo Estado. Dono da Fazenda Quilombo, possuía mais de 300 escravos, libertá-los de uma hora poderia resultar em vultosos prejuízos.

 

Negócios da China

Como solução para a questão da mão de obra, Moreira de Barros propunha a imigração chinesa. O motivo era pouco nobre: ele afirmava apenas os chineses aceitariam os baixos salários e condições de trabalhos semelhante a dos escravos.

liberta

Antes da princesa

Em 4 de março de 1888, a Câmara de Taubaté constatou que a escravidão havia se tornado inviável. Com perdas incalculáveis, os vereadores portanto, declararam a proibição da escravidão e a libertação dos escravos no município. Foi por esse motivo que uma das principais ruas da cidade chama-se 4 de março.

A libertação em Taubaté antecedeu em 40 dias a Abolição da Escravatura assinada pela Princesa Isabel.

 

Acompanhe o Almanaque Urupês também na nossa página do facebook e twitter

 

Comments

Deixe uma resposta