Augusto Arid, 60 anos de carreira (ATUALIZADO)

Releia a entrevista do músico taubateano ao Jornal Contato contando sobre os seus 60 anos de carreira.

Publicado no Jornal contato edição 715

Augusto Arid, nasceu em Taubaté, em 01 de abril de 1945. Filho do farmacêutico Augusto Abrão Arid e de Wahdia Chibebe, quatro irmãos, dois homens, o Walter e o Emir e duas mulheres Terezinha e Marilei. Estudou no Colégio Olegário de Barros e na Escola de Comércio onde se formou em Ciências Contábeis.

 

Como foi o início de sua carreira?
Augusto Arid: O primeiro baile que eu toquei foi no Círculo Militar há 59, 60 anos atrás. Um sujeito bebeu demais e iniciou uma briga que envolveu várias pessoas. Eu vi pratos, copos, garrafas e cadeiras voando pelo salão. Quando cheguei em casa falei para o meu irmão: “é sempre assim?” Ele riu e respondeu: “de jeito nenhum”.

Ainda jovens, Augusto Arid, à frente, com seu irmão Walter logo atrás.

Ainda jovens, Augusto Arid, à frente, com seu irmão Walter logo atrás.

Qual a melhor lembrança dessa época?

AA – Meu irmão Walter montou o OK Júnior, paralelo ao Ritmos OK, e o deixou para eu tomar conta. Fomos fazer uma brincadeira dançante no TCC – Taubaté Country Club e eu consegui a proeza de ligar todos os aparelhos em 220V. Simplesmente torrou tudo. Não teve a brincadeira e passei a noite e a madrugada sentado na cama, tremendo, esperando o Walter chegar. Quando chegou, eu mal conseguia falar: “Você não sabe o que aconteceu?”E ele respondeu: “Já sei, você ligou no 220 e queimou tudo”. “Como é que você sabe? Ele disse: “Porque você está tão nervoso. Pode deixar que durante a semana eu conserto tudo”.

 

Como foi o longo período que tocou com Pedrinho Matar?
AA – Começou depois de eu participar de um concurso no Programa do Chacrinha sobre o melhor músico do Brasil. Me inscrevi em bateria e ganhei na primeira e na segunda etapa. No final, na terceira etapa, Pedrinho estava no júri. Além de votar em mim me convidou para tocar com ele.

 

Como foi esse concurso?
AA – Na primeira fase, quando ganhei por 7 X 0, o motorista que foi me levar contou que ouviu Chacrinha comentar com a produção do programa que precisava trazer músicos melhores porque eu era um candidato muito forte. Na segunda fase, trouxeram um clarinetista do Rio de Janeiro. Ganhei por 4 X 3 com o solo de bateria. Na final, disputei com um trompetista e também ganhei por 4 X 3.Nelson Rubens fez uma matéria para o jornal Última Hora, teve também uma reportagem na Gazeta Esportiva, e comecei minha vida fora de Taubaté. Em São Paulo, trabalhei com Cauby Peixoto e com Pery Ribeiro, até eu ir para o Rio de Janeiro, na década de 80. Walter ia gravar um disco com o Vando, eu participei e acabei ficando por dez anos. Trabalhei com Joana, com a família Caymi, durante três anos com Cauby Peixoto, com João Donato, com Johnny Alf, e uma série de outros artistas.Mas, nunca deixei de trabalhar com o Pedrinho Mattar, mesmo tocando na noite eu continuei gravando discos com ele. Só parei quando ele faleceu há uns dez anos.

 

Como foi tocar com Chico Buarque?
AA – Quando eu trabalhei com a Fafá, trabalhei com o Cristóvão Bastos, um grande compositor, músico e arranjador do Rio de Janeiro. A gente fez muita amizade e ele acabou me chamando para vários  trabalhos, inclusive para gravar um disco com o Chico. Aí eu acabei gravando dois discos angolanos com um grupo que veio de Angola para gravar no Rio o disco “Trinta anos de música de Elias Dia Kimuezo”. Elias Kimuezo é o mais famoso músico lá de Angola. Depois eu gravei também com um outro músico angolano André Mingas. Depois comecei a trabalhar com a família Caymi,participei da entrega do Prêmio Shell no Teatro Municipal. No final, quando estávamos guardando os instrumentos apareceu um sujeito cumprimentando cada um dos músicos. Ele me cumprimentou dizendo parabéns maestro. Era o Tom Jobim que estava na plateia.e foi cumprimentar os músicos. Depois, toquei com Johnnie Alf e com o João Donato, um músico fantástico, extraordinário, com quem toquei por três anos.

 

C – Nesses sessenta anos de músico, como foi sua relação com o poder público da cidade? Recebeu algum apoio?
AA – Já fiz alguns shows patrocinados pela prefeitura no tempo que o Antônio Mário era prefeito e o professor Osmar Barbosa era diretor de Cultura, mas depois eu fiquei bastante tempo sem tocar mais. No início de 2016 farei um show pela prefeitura, através do Zé da Estrutura, da secretaria de Turismo.

 

C – Bateria exige esforço físico.Você já sente os efeitos da idade?
AA – Sinceramente não. Com o tempo a gente adquire mais experiência e hoje consigo tocar até melhor. Com o tempo, a gente vai aprimorando mais a técnica. É claro que vai chegar uma hora que eu vou começar a sentir, mas essa hora ainda não chegou. E com a experiência adquirida e com a técnica mais aprimorada a gente acaba fazendo menos esforço para tocar.

 

C – Faltou alguma coisa em sua vitoriosa carreira?
AA – Sim, ter me radicado no exterior quando surgiu a oportunidade. Na Europa e nos Estados Unidos a arte e o músico são mais valorizados quando tem realmente qualidade. Fiz um trabalho com um grupo americano em uma temporada de dois meses no Rio, na casa do Ricardo Amaral, substituindo o baterista que teve um problema antes de começar a temporada. Participei de uma audição para a escolha de um baterista, fui o último a tocar e fui escolhido. Depois eles me convidaram para ir a Nova Iorque com eles. Mas eu acabei voltando para Taubaté.
C – Qual foi o lance mais acertado na sua carreira musical? 
AA – Foi ter seguido uma vida limpa, sem envolvimento nenhum com drogas, com bebidas, etc. Então, em todos os lugares e com todos os artistas com quem trabalhei eu tenho a certeza de que as portas sempre estarão abertas para mim.

 

Acompanhe o Almanaque Urupês também na nossa página do facebook e twitter

Comments

1 Comentário

  1. vigiaiblog

    21/07/2017 at 11:22 am

    Muita tristeza, Augustinho Arid faleceu hoje´- 21.07.2017 – em Campinas, e o velório será no Santa Clara/Taubaté, o enterro será às 16:30 hs.

Deixe uma resposta